Avenida Dr. Francisco Sá Carneiro,n.º7 C - r/c - 3400-059 Oliveira do Hospital - 238 609 994

Horário de atendimento: De 2ª a 6ª feira das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. 5ª feira a partir das 21h30.

                

 

 

      notas históricas

 Nasce a actual sede de concelho na época da 2ª. Cruzada, quando, em São João de Jerusalém, na Terra Santa, é fundado um hospital que irá receber os peregrinos doentes, estropiados e vítimas, por vezes, de ataques e assaltos em tão longa caminhada que os levará junto do Santo Sepulcro.

A existência de um monumento megalítico no “Pinheiro dos Abraços”, a 3 km. da cidade, assegura-nos, porém, que  a  região de Oliveira do Hospital  era já habitada na pré-história, entre 5.000 e 2.000 A .C.

O primitivo nome da povoação havia sido Ulvária, que significa terreno alagadiço onde há ulvas (plantas que se desenvolvem naquele ambiente); de Ulvária terá derivado para Ulveira ou Hulueira e daqui, por analogia, deturpação ou afinidade sónica, para Oliveira. O nome “do Hospital”, ou “do Espital” resulta exactamente da atribuição de uma Comenda à Ordem dos Monges de São João de Jerusalém, a Ordem dos Hospitalários.

Os Monges desta Ordem  (a mais importante e estimada das três Ordens militares que se fundaram em Jerusalém após a tomada e recristianização desta cidade pelos Cruzados, a 15 de Julho de 1099), pela relevância da sua benemérita vocação, não só se espalharam pelos diversos territórios onde a reconquista cristã ainda não tinha terminado, como também, por reconhecimento do seu mérito, são prodigamente amparados pelas frequentes doações e heranças com que reis e grandes dignatários da corte os contemplam. Foi assim que, no ano 1120 ou 1122, segundo referem alguns autores, a rainha D. Teresa, na menoridade de seu filho D. Afonso Henriques, fez doação de um povoado chamado Vlueyra do Spital aos cavaleiros da Ordem dos Hospitalários.

José Anastácio de Figueiredo, ilustre historiador do séc. XVIII, escreveu que no Antigo Repertório, Registro ou Inventário do Cartório de Leça, datado do reinado de D. Afonso IV, se achavam referências às primeiras doações feitas pela rainha D. Teresa à referida Ordem, e que, a fls. 13, vol. 2, n 189 desse Inventário se lê ter existido uma “Doação que fez a Rainha Dona Tareyia ao Spital derdade q auia ê ssea antre a bouedela & hulueira”.

Seria grande e importante, ou pequena e pobre essa herdade? Não se sabe, pois não temos outros esclarecimentos. Pelo nome de herdade se designava então, tanto uma propriedade pequena e insignificante, como uma grande, e até um conjunto de propriedades, por vezes separadas e sitas em lugares afastados uns dos outros. Seja como for, essa herdade, sita a ocidente de Ulveira, mas no seu termo, foi o embrião que, desenvolvendo-se, veio a dar uma das mais importantes comendas que a Ordem dos Hospitalários possuiu em Portugal. E supõe-se mesmo que era exactamente em Oliveira do Hospital que a Ordem de Malta tinha a sua sede ou convento principal, implantado no local onde actualmente se encontram o edifício dos Paços do Município e a Igreja Matriz

Senhora desta herdade em Ulveira, a Ordem do Hospital principiou logo a alargar os seus domínios nesta região, por compras, doações e outras formas de aquisição de terras, casais, jurisdições, etc., e isto tão rapidamente que em breve toda a “pobla” de Ulveira e o território circundante era pertença dos Hospitalários, com excepção apenas dum ou doutro casal, que continuaram sendo realengos. O próprio padroado eclesiástico da igreja paroquial de Sanhoane  (S. João) de Ulveira era da Ordem, e o facto desta primitiva igreja ter por titular S. João, patrono da Ordem de S. João de Jerusalém, ou do Hospital, faz-nos suspeitar que seria por esse tempo que a “pobla” se erigiu em paróquia, sendo já a Ordem que construiu e fez benzer a respectiva igreja paroquial. O que é certo é que, daqui em diante, esta aldeia de Ulveira, para se distinguir doutras povoações de igual denominação entre as quais se contavam S. Miguel de Ulveira (hoje Vila Nova de Oliveirinha) e Ulveira do Conde (hoje Oliveira do Conde), principiou a ser chamada  Ulveira do Espital, decorando-se com o nome da Ordem a que pertencia, e os seus habitantes, caseiros ou foreiros dos Hospitalários, eram comummente designados pela denominação específica de homens do Espital.

Não era a paróquia constituída apenas pela aldeia de Ulveira do Espital. Mais três aldeias, colocadas nos vértices dum triângulo, dentro do qual ficava Ulveira, formavam a paróquia com a sede nesta, que era central. Havia a sul a aldeia de Garamácios (hoje Gramaços), onde no tempo de D. Afonso Henriques residiu Dom Chavão, rico-homem das terras de Seia, o qual vivia habitualmente na sua casa de Garamácios com grande ostentação e numerosos familiares, parentes, soldados, peões, cavaleiros, criados, etc.

A aldeia onde morava Dom Chavão nada tinha com a Ordem do Hospital. O rico-homem, e depois seus descendentes e herdeiros, nenhumas contribuições pagavam, nem ao rei, nem à Ordem, mas os outros habitantes de Garamácios, que não pertenciam à família de Dom Chavão, todos pagavam ao rei as contribuições tradicionais de voz, de coima, de colheita, etc.

Eram também elementos constitutivos da paróquia de Ulveira do Espital as duas aldeias de Gavios de Jussãa (Gavinhos de Cima e Gavinhos de Baixo), que ainda conservam, com pequena alteração, o nome próprio pelo qual já então eram conhecidas. Gavinhos de Cima pertencia, em grande parte, aos descendentes de Dom Chavão, e Gavinhos de Baixo passou para as mãos dos Hospitalários. Esta Ordem adquiriu também uma importante herdade, sita entre Gavinhos de Baixo e Bobadela, denominada Castanheira, e ali fundou uma aldeia, conhecida por aquele nome, a qual fazia parte da paróquia de Ulveira, que assim ficou sendo constituída por cinco aldeias distintas e separadas, a última das quais, com o decorrer dos séculos, veio a desaparecer completamente.

         O território onde assentavam estas aldeias, e o que as circundava, era muito fértil e rico, e os homens do Espital, ali moradores, muito agenciadores e laboriosos, não se descuidavam de o cultivar. Assim é que, ao realizarem-se nas Terras de Seia, de que fazia parte esta região, as Inquirições de D. Afonso III, em 1258, encontramos os homens do Espital a cultivarem muitas terras de pão, e principalmente muitas vinhas. Os topónimos “Gavinhos” parecem corroborar esta asserção, pois gavinhas se chamam os órgãos vegetais, filiformes, que servem para fixar certas plantas, como sucede com as varas das videiras.

Embora pertencessem ao Hospital os homens que cultivavam essas terras regalengas, eles pagavam ao rei as devidas contribuições de voz, de coima, de colheita, etc., mas pelos casais e terras que possuíam no termo da aldeia de Ulveira nada pagavam aos cobradores régios, e apenas davam à Ordem do Hospital os foros e prestações que lhe eram devidos. Os homens do Hospital de Gavios de Jussãa, porém, sendo isentos de todas as outras contribuições reais, pagavam entretanto todos os anos a contribuição chamada colheita. Os estranhos à Ordem que possuíam herdades suas na paróquia de Ulveira do Espital pagavam por estas ao rei as contribuições ordinárias.

No decorrer dos tempos, Ulveira foi-se desenvolvendo, foi ganhando importância à sombra da grande, poderosa e gloriosíssima ordem de S. João de Jerusalém, e enxuta a grande ulveira, que dera o nome à povoação, e transformada em fertilíssimas propriedades, aumentou a produção de ervas para o gado,  e de cereais, de hortaliças e frutas para alimentação dos seus habitantes.

         Não se interrompeu o percurso inexorável do tempo, dos costumes e das ideias. A “História” continuou o seu percurso. Foi assim que a Carta de Sentença de D. Afonso IV, do ano de 1341, reconheceu à Ordem e Comenda de Oliveira toda a jurisdição civil e criminal. D. Manuel I concedeu-lhe foral novo em 27 de Fevereiro de 1514, e rubricado pelo cronista Fernão de Pina tem por título: “fforall dado ao lugar de oliu.ra dospitall per forall da torre dotombo”. Segundo o Dr. Francisco Correia das Neves, Ilustre Oliveirense, “temos razões para admitir que Oliveira do Hospital já tinha organização municipal, já era um concelho, ainda que rudimentar, quando D. Manuel lhe concedeu o Foral”. No «Cadastro da População do Reino», organizado em 1527, no reinado de D. João III, está registado o concelho de Oliveira do Hospital nos seguintes termos:

         “Concelho de Oliveira do Hospital – No dito concelho vivem moradores 110. A saber na dita Vila de Oliveira e seu termo vivem 45. E no lugar de Gavinhos de Cima 27. E no lugar de Gavinhos de Baixo 38 que fazem a dita soma. E o dito termo é de comprimento de um quarto de légua e de largo outro. Parte e confronta com a Vila de Seia e com a Vila da Bobadela e com Lagos e com Lageosa e com o concelho de Nogueira”.

         Ainda segundo o autor oliveirense acima citado, “D. Sebastião confirmou-lhe igualmente a jurisdição por Carta de Confirmação Geral de 20 de Outubro de 1577”. Por Decreto de 12 de Novembro de 1875, no reinado de D. Luis, foi criada, juntamente com outras, a Comarca de Oliveira do Hospital, (que só se efectivou em 22 de Março de 1876), integrada por quatro (4) Julgados Ordinários – Avô, Lagares, Oliveira do Hospital e Sandomil, e com os Juizos de Paz de Avô, Penalva de Alva, Oliveira do Hospital, Ervedal e Sandomil. No plano administrativo deve dizer-se que no Séc. XVII já pertencia ao concelho de Oliveira do Hospital a paróquia da Lageosa. Depois, com as reformas administrativas e judiciais que se sucederam, a implicar a extinção dos pequenos concelhos vizinhos de Lagares, Lagos da Beira, Nogueira do Cravo e Bobadela, o concelho de Oliveira ficou com nove (9) freguesias e, mais tarde, pela extinção dos concelhos de Penalva de Alva, Ervedal da Beira, Avô e S. Gião passou a integrar um conjunto de  vinte (20) freguesias. E assim se manteve até 1988, ano em que, por desanexação de um lugar da freguesia do Ervedal da Beira, foi criada a 21.ª Freguesia do concelho: Vila Franca da Beira.

 Finalmente,  em 2 de Julho de 1993 a vila de Oliveira do Hospital foi elevada à categoria de cidade pela Lei  n.º  23/93.

 

Aqui não estão reproduzidos todos os textos na sua integra. Mais informações no livro editado pela Junta de Freguesia, " Inventário Histórico, Patrimonial e Sócio-Cultural da Freguesia de Oliveira do Hospital " ou pelo e.mail ou CTT

 

 

LINK'S

  Home   |  A Junta  |  Assembleia de Freguesia  |  Heráldica  |  Caracterização  |  Notas Históricas | Publicações  |  Onde Comer | Artesanato | Gastronomia |
Onde Ficar   |  Património Religioso  |  Património Natural  |  Ensino  |  Desporto Cultura e Lazer  | Apresentação   | Festas e Feiras |
Artigos de Venda

Freguesia de Oliveira do Hospital - Avenida Dr. Francisco Sá Carneiro,n.º7C - r/c- Tef/Fax 238 609994

  AlbinoJosé © 2001/2007 - Todos os Direitos Reservados.