
Gastronomia

No
que respeita às referências gastronómicas todo o nosso concelho se não pode
dissociar do facto de estar inserido em zona circundante da riquíssima Serra da
Estrela. Assim, os sabores mais marcantes da nossa cozinha derivam dos pratos
confeccionados a partir dos produtos mais típicos desta região. O forno a
lenha é ainda frequentemente utilizado, e é responsável pela genuinidade do
sabor de alguma da nossa gastronomia. O cabrito assado, os torresmos, a
feijoada, as migas, a carne de vinha-de-alhos, os carolos, a papa laberça, o
arroz de míscaros, os enchidos, a broa de milho, as bolas de chouriço,
bacalhau e sardinha, o arroz doce, a tigelada fina e a tigelada grossa, o
requeijão, o queijo fresco e o queijo da Serra (rigorosamente controlado pela
Faproserra - Federação das Associações de Produtores do Queijo da Serra da
Estrela) são autênticos cartões de visita a convidar para momentos de prazer
inolvidáveis. O vinho, da região demarcada do Dão, com a Adega Cooperativa de
Nogueira do Cravo a meia dúzia de quilómetros da cidade, complementa este
"roteiro gastronómico" de fazer crescer água na boca. Poderá
saborear estas iguarias em qualquer um dos muitos restaurantes que a freguesia
lhe oferece. As senhoras Emília Laceiras, Sara da Glória, Maria de Jesus
Rasteiro (mais conhecida como Maria do Sabugueiro) e Luz da Tia Dora foram as
cozinheiras afamadas que no século passado confeccionaram as bodas e demais
festas que deliciaram os paladares de muitos dos nossos familiares e amigos.
Achamos por bem, já que falámos de
gastronomia, não esquecer o milho, esse cereal de sementeira obrigatória cujo
grão farináceo e panificável era a principal fonte de alimentação de muitas
das famílias oliveirenses mais desfavorecidas. E não eram poucas, nesses
tempos de difícil viver e trabalhar!...
Até chegar à mesa de qualquer um, a broa de milho era
o resultado feliz de uma série de operações que começavam na sementeira do
grão do milho, nos campos da nossa freguesia tratados amorosamente pelas mãos
calosas dos nossos agricultores. O sachar, o mondar, o assentar eram fases por
que passava o milho, até resultar num mar verde e ondulante, sinal de que um
outro mar de ouro viria no final do verão, anunciando os trabalhos decorrentes
de uma boa colheita que começava com o corte. Seguia-se a desfolhada, realizada
por rapazes e raparigas fazendo uma roda no meio da qual estava o monte das
espigas de milho, alegremente cantando à desgarrada. Quando aparecia o
milho-rei, designação popular do milho vermelho, o feliz achador recebia como
prémio um abraço de todos os participantes na desfolhada. Mas havia sempre os
mais espertos que guardavam do ano anterior a espiga premiada e pretendiam com
ela voltar a merecer as honras do abraço colectivo...
Seguia-se a malha do milho, feita na eira por pares de homens de rijos
músculos, colocados frente a frente, munidos de manguais com os quais malhavam
o cereal até o libertarem do casulo. Finda esta operação, que requeria
destreza e sincronismo nos golpes desferidos, deixava-se o milho a secar na
eira, exposto ao sol, até poder ser erguido ao vento com a ajuda de cestos
sabiamente sacudidos para libertar do grão as palhas ou areias indesejáveis.
Finalmente era guardado em grandes arcas ou arcazes de madeira e destinado quer
ao pagamento, em alqueires, das terras arrendadas, quer à sua transformação
em farelo e farinha para a confecção dos principais alimentos que iam à mesa
da maior parte dos habitantes da nossa região.
Aqui
não estão reproduzidos todos os textos na sua integra. Mais
informações no livro editado pela Junta de Freguesia,
" Inventário Histórico, Patrimonial e Sócio-Cultural da Freguesia de
Oliveira do Hospital "
ou pelo e.mail ou CTT